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Mauricio Pommê joga tênis em cadeira de rodas há apenas 2 anos e nesta temporada já aparece na liderança do ranking nacional da CBT. Sua vida sempre esteve ligada ao tênis, desde quando começou a jogar, aos 10 anos, até hoje, integrando a equipe nacional de cadeirantes.
Paulistano, Mauricio começou a jogar com seu pai, na quadra da empresa onde trabalhava. Pommê passou a disputar campeonatos juvenis até chegar a ser um tenista de primeira classe. Com o destaque nas quadras, as coisas foram seguindo seu rumo natural até chegar à profissão que desempenha até hoje: administrar academias de tênis. Junto com os juvenis, ele viajava pelo país e acompanhava as competições nacionais, passando sua vivência nas quadras para os que estavam começando. Numa dessas viagens, um juvenil despontava e chamava a atenção do treinador: era simplesmente Gustavo Kuerten.

UM NOVO COMEÇO

E as coisas seguiam seu rumo natural. Mauricio dava aulas, treinava atletas, administrava a academia e jogava tênis de primeira classe, mas não profissionalmente. Em novembro de 1997, no entanto, houve uma grande mudança em sua vida.
Um funcionário da manutenção estava de licença e uma parte do telhado de uma das quadras estava danificada devido aos fortes ventos que atingiram a região. Junto com outro funcionário, Maurício Pommê subiu no telhado para fazer o reparo. De repente, uma das telhas se desprendeu, trazendo abaixo o empresário. "Até o tombo foi ligado ao tênis. Eu caí num quadra, quase em cima de uma menina, que estava há poucos metros jogando".
Com o tombo, o atleta que lutava nas quadras para vencer, passou a lutar pela sobrevivência. Internado durante mais de dois meses devido à gravidade do acidente, sua única preocupação era se recuperar.
Após esse período no hospital, Maurício saiu e foi morar com sua irmã, que é médica e lhe dava a assistência necessário ao seu restabelecimento. Um tempo depois, ele voltou para a casa de sua mãe. Depois de uns seis ou sete meses, ele voltava a morar sozinho e começa a adaptação para uma nova vida. "Demorou um tempo para eu me centrar e ver como seria pra frente. Foi um ano de adaptação na minha vida nova. Em 99, apareceram o Serginho e o César que sabiam que tinha um cara que jogava tênis e estava numa cadeira e conveceram-me de que era legal eu jogar tênis", comentou.
Agora, Pommê se acostumava ao novo esporte e sentia novamente a alegria de poder estar em uma quadra, praticando a modalidade que sempre foi sua paixão.
Mas as coisas não foram tão fáceis e a adaptação foi acontecendo aos poucos. No início, ele percebeu que tudo era bem diferente. O ritmo e a velocidade de jogo não tinham muito a ver com o que o atleta estava acostumado. "Até você se acostumar com isso e sentir que também é legal é meio complicado. É diferente de uma pessoa que está na cadeira e jogava tênis de brincadeira ou nem jogava. Agora, quando você joga num alto nível e passa a jogar em cadeira de rodas é meio estranho no começo".

O EMPRESÁRIO JOGADOR

Desde 1996, juntamente com Eduardo Eche, Pommê administra duas academias em São Paulo. "É bem mais difícil ser empresário. Quando jogava, me preocupava só com o backhand e em melhorar o golpe de um aluno. Hoje em dia, o negócio ficou muito mais complexo. Antigamente, era mais cansativo fisicamente, pois você tinha que ficar quase oito horas na quadra, com sol, garoa, frio e hoje você tem que gastar mais a cabeça para fazer as coisas andarem. A responsabilidade é grande. Você tem um time todo pra tomar conta. Tem de estar muito ligado, prestando atenção nas coisas, porque hoje em dia toda área está difícil". Mesmo com as dificuldades de administrar uma academia, ele sente que a procura pelo tênis está bem maior hoje em dia. Desde a primeira conquista de Guga, em Roland Garros, há uma busca maior pelo esporte da bolinha. "Ter alguém no topo como o Guga ajuda bastante. Uma coisa é você assistir a um jogo de tênis e vendo outro jogar e outra coisa é ter um brasileiro entre os melhores do mundo".

A CARREIRA

Após começo complicado, Mauricio foi se adaptando ao novo esporte até chegar ao topo do ranking nacional na temporada 2001, conquistando a primeira etapa do Circuito Nacional de Tênis em Cadeira de Rodas.
Antes, porém, ele já defendeu a equipe nacional no Mundial de 2000, na França. Marcou presença também no torneio internacional de Brasília e disputou um torneio em Boca Ratón, nos Estados Unidos, onde seu jogo já chamou a atenção dos norte-americanos. Sobre a modalidade no Brasil, ele acredita que é possível melhorar muito ainda. "Falta mais apoio, pois é um esporte que não é barato e existem circuitos mesmo dentro do Brasil que nem todos podem. Cada um tem que pagar sua viagem, seu transporte, sua inscrição, seu encordoamento, seu hotel e isso acaba saindo caro pra todo mundo. Eu, que estou em primeiro no ranking, precisaria de uma ajuda para poder viajar e estar em contato com o tênis lá fora. Para termos um tênis de alto nível, como temos no profissional, é preciso termos alguém lá na ponta e eu acredito que possa ir bem longe, mas é preciso um apoio".
Mesmo acostumado com as disputas em quadra, o perder ou vencer, o mais importante para o cadeirante é estar em contado com o esporte. Essa é a lição de vida que Mauricio Pommê carrega e tenta passar para seus amigos. "Tem gente que senta numa cadeira de rodas e deu, não faz mais nada. Procura trabalhar e só. Agora, eu estou conseguindo me manter dentro de um esporte. Não há nada melhor do que isso".

CONQUISTAS

Além de ter sido bicampeão brasileiro em 2002 e 2003, Maurício representou o Brasil nas Paraolimpíadas da Grécia em 2004. E atualmente está colocado em 48º lugar no ranking mundial pela ITF.

PERFIL

Nome: Maurício Pommê
Nascimento: 24/03/1970
Localidade: São Paulo/SP
Academia: Eche & Pommê Tênis
Formação: Educação Física
Lugar que mais gostou de conhecer: Paris e Boca Ratón
Filme: "Encontro Marcado"
Música: Tudo (nacional, techno, black-music)
O que gosta de fazer fora da quadra num torneio: Estar com os amigos, principalmente no Brasil. Trocar idéias. Você aprende muito ouvindo pessoas que estão há muito mais tempo em uma cadeira.
Time de futebol: Corinthians.
Quais outros esportes gosta de assistir? Futebol, vôlei, basquete.
Tudo que tem de esporte, eu assisto.
Sonho que quer realizar na vida: Correr atrás da felicidade e correr sempre das coisas ruins, de pessoas de mau humor. É um sonho estar sempre no lugar que você quer, com as pessoas que você quer. Estar sempre cada vez mais na praia, com os amigos.
Uma meta: Manter minhas academias. Sempre poder estar trabalhando com o tênis.
Hobbie: Adoro praia.
Comida: Pizza e pratos bem diferentes e bem feitos.
Conselho para quem está começando: Muito empenho, dedicação e força de vontade, porque é um esporte maravilhoso, mas muito difícil de ser jogado em alto nível.
Conselho para quem quer jogar tênis em cadeira de rodas? O dobro de tudo: perseverança, dedicação, força de vontade, dinheiro. Todo mundo tem que correr atrás daquilo que quer.
Ídolo: "Guga. Conheci o Guga, quando era técnico do juvenil. Sempre foi muito gente boa, centrado no que queria e merece tudo o que está tendo hoje. Hoje, ele tá pegando de volta tudo o que ele deixou pra trás. "